Ficção é instrumento precioso para a análise do mundo que nos cerca

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Os grandes textos oferecem outro mundo, outra realidade. Mas nem só de fuga vivem as grandes obras literárias. Há quem veja a literatura como o mais nobre dos escapismos. Um poema certeiro resgata o que temos de melhor. Um conto enxuto nos transporta para um tempo vertiginoso. Um bom romance nos apresenta a personagens inesquecíveis. São maneiras que leitores e leitoras encontram para fugir de um cotidiano muitas vezes cinzento, triste, agressivo, sem sentido.
Impossível negar esse poder escapista da literatura. Os grandes textos oferecem, de fato, outro mundo, outra realidade. Mas nem só de fuga vivem as grandes obras literárias. Muitas delas propiciam o caminho inverso: afiam nosso olhar para a realidade.
Parece paradoxal, num primeiro momento, acreditar que uma obra de ficção sirva para olharmos com mais agudeza para a realidade. Mas isso só num primeiro momento. Pensando com mais calma, é coerente acharmos que a ficção é um instrumento precioso para a análise do mundo que nos cerca. Um bom texto de ficção pode revelar algumas verdades que costumamos deixar de lado no cotidiano: somos complexos, somos contraditórios, tomamos decisões influenciados pelo calor da hora, uma pequena ação tem consequências enormes um pouco mais para frente. Ou seja: o texto de ficção pode ser um valioso espelho.
Não há quem não reclame que a vida, nos dias de hoje, é muito complicada. Milhares de informações aparecendo nas telas dos nossos celulares e computadores. Notícias que pedem interpretações rápidas. Tudo mudando drasticamente de um dia para outro. Podemos ter a melhor conexão de internet, podemos acompanhar atentamente os melhores sites de notícias, podemos ver os melhores noticiários na televisão, mas sentimos falta de algo que amarre as pontas. Sentimos falta de um eixo que estruture fatos relevantes e fatos menores. No fundo, sentimos falta de respostas a perguntas como “por que isso aconteceu?”, “como isso aconteceu?”, “quais serão as consequências disso que aconteceu?”.
E é aqui que entra o poder da ficção. Mais: o poder dos grandes romances. Sabemos que as grandes narrativas são fatias suculentas da vida. São histórias que abraçam as terríveis e fascinantes variáveis de uma sociedade. No século XIX, auge desse tipo de narrativa, encontramos os exemplos de Balzac, Flaubert, Dickens, Zola, Eça de Queirós, José de Alencar, Machado de Assis, Tolstói, Dostoiévski. Todos eles retratam sociedades que mudaram muito de lá para cá. Mas ainda hoje suas maneiras de ver o mundo são essenciais. A leitura dos seus romances nos ensina a amarrar os inúmeros fios ao nosso redor. Eles mostram as maravilhas das pequenas e das grandes conexões.
Em tempos de alta velocidade, voltar aos romances do século XIX é crucial. Praticamente uma questão de sobrevivência.
Texto: Nelson Fonseca Neto, professor do Objetivo Sorocaba



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