Contos populares são peças fundamentais da nossa formação

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Não há instituição de ensino que não enfrente a questão: como trabalhar com essas narrativas? As pessoas envolvidas com leitura e escrita na escola sentem-se na obrigação de lidar com os contos populares. Não há instituição de ensino que não enfrente a questão: como trabalhar com essas narrativas?
A maneira de encarar o desafio varia bastante. Há quem veja as famosas histórias apenas como oportunidades para ocupar o tempo das crianças. Há quem tenha medo de ferir sensibilidades, pois muitos dos contos consagrados são marcados pela violência e pela crueldade. Há, também, quem trabalhe com os contos populares como pretextos para outras atividades de leitura e escrita. São muitas as abordagens, e não é o caso de se apontar quais estão certas e quais estão erradas.
Essa multiplicidade de trabalhos ocorre pelos méritos de vários desses contos populares. São textos instigantes que abrem várias portas. O problema é que poucas escolas trabalham com essas narrativas levando em conta algo bastante elementar: os contos populares também podem ser vistos como obras literárias autônomas, primorosas, com ritmo próprio e personagens fundamentais.
A trajetória dos “Contos maravilhosos infantis e domésticos”, antologia publicada pelos irmãos Grimm entre 1812 e 1815, é emblemática. As histórias, compiladas em dois volumes, revelam algo pouco comentado: são obras-primas da narrativa, pouco importando a idade de quem as lê. Mérito dos irmãos Grimm, que andaram bastante pela Alemanha, ouvindo as histórias populares, e transformaram a oralidade em textos estilisticamente impecáveis. E mérito da população alemã, que soube preservar, de geração para geração, histórias que ainda hoje prendem a atenção. Os contos dos irmãos Grimm são considerados, desde sua publicação, peças fundamentais da cultura alemã.
Evidentemente, o fenômeno não se restringe à Alemanha. Por exemplo, uma parte da obra de Andersen, na Dinamarca, segue as trilhas dos irmãos Grimm. Tolstói escreveu centenas de contos a partir das narrativas populares que circulavam há décadas pela Rússia. No Brasil, Mario de Andrade e Câmara Cascudo tornaram acessíveis histórias que formigavam por todo nosso território.
As escolas, quando trabalham com os contos populares, precisam estar atentas à complexidade de textos que costumam ser considerados óbvios. A educação de qualidade nunca se contenta com a superfície das coisas.
Texto: Nelson Fonseca Neto, professor do Objetivo Sorocaba



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