Como a crônica pode mudar sua vida

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Por não conhecer fronteiras de assuntos permitidos e proibidos, a crônica é a impressão digital de quem a escreve. Inúmeros gêneros literários nos rodeiam. Poema de amor. Conto policial. Romance histórico. Romance de formação. Conto de terror. Romance de ficção científica. A lista é vasta. É só dar um pulinho numa livraria e reparar nas seções de literatura.
Cada gênero literário apresenta suas marcas típicas. No conto policial, a chance de encontrarmos um crime a ser desvendado é enorme. No romance de ficção científica, provavelmente conheceremos uma sociedade dominada pela tirania e pela tecnologia assassina. Nada contra essa previsibilidade. São as regras do jogo.
De todos os gêneros literários, a crônica é o que nos oferece as maiores surpresas. Impossível dizer, em poucas palavras, o que é a crônica. Quem tenta fazer esse tipo de definição consegue, na melhor das hipóteses, entender apenas um fragmento do problema. O terreno da crônica é vasto e misterioso.
O que podemos encontrar nas crônicas? De tudo um pouco. Memórias do cronista. Comentários a respeito de algum fato relevante ou nem tão relevante assim. Filosofia de quem está prestes a atingir a sabedoria. Confissões de quem se reconhece limitado. Alucinações de uma noite de verão. Melancolia de uma tarde de inverno. Acertos de contas. Conversas gostosas com leitores e leitoras.
E o tom das crônicas? Também de tudo um pouco. Linguagem mais polida. Conversa descontraída. Indignação justificada. Lirismo comovente. Crueza dos detalhes.
Apesar de toda essa diversidade, alguns pontos são inquestionáveis. Por sair em jornais, revistas ou sites da internet, a crônica é breve, ligeira. Por ser acompanhada habitualmente por leitoras e leitoras, a crônica é diálogo, comunhão. Por não conhecer fronteiras de assuntos permitidos e proibidos, a crônica é a impressão digital de quem a escreve. Para muitos leitores e leitoras, a crônica é o alimento semanal indispensável. É que o tom mais leve desses textos traz verdades fundamentais, sem dogmatismos, sem imposição de regras, sem broncas. É a sabedoria das pequenas coisas.
Para nossa sorte, o Brasil é o campeão mundial da crônica. Nossa lista de craques tem os seguintes nomes: Machado de Assis, Rubem Braga, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Elsie Lessa, Rachel de Queirós, Vanessa Barbara, Tati Bernardi, Antonio Prata, Mario Prata, Fernando Sabino, Antonio Maria, Humberto Werneck, Clarice Lispector e vários outros jogadores e jogadoras de peso.
E é nosso dever aproveitar uma dádiva dessas.
Texto: Nelson Fonseca Neto, professor do Objetivo Sorocaba.



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