Centro de recuperação em Assis já recebeu 600 animais neste ano; maioria vítima de atropelamento

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Em todo o ano passado foram 1,6 mil animais encaminhados para o local, 13% a mais que no ano anterior. Número de animais machucados preocupa especialistas. Quatro filhotes de onça parda seguiam a mãe
Reprodução
O flagrante de uma família de onça parda atravessando o canavial em Paraguaçu Paulista (SP) chamou atenção de ciclistas e para quem gosta de animais a cena é muito bonita. Mas, segundo especialista, o flagrante revela uma situação preocupante dos animais silvestres no interior de São Paulo.
No vídeo, é possível ver a mamãe onça caminhando preocupada na área onde antes havia uma plantação de cana de açúcar em direção à mata fechada, logo depois vem os quatro filhotinhos, o motivo da preocupação da fêmea. (Veja no vídeo abaixo).
Família de onças é flagrada em canavial de Paraguaçu Paulista
Nessa época do ano é comum o aparecimento de animais silvestres machucados em áreas próximas a zona urbana, principalmente vítimas de atropelamento. Muitos tentam fugir de regiões com canaviais em busca de mata, um lugar que oferece abrigo e alimento, mas pelo caminho encontram trechos rodoviários e ao tentar atravessar acabam atropelados.
De janeiro até agora, um centro de recuperação de animais silvestres de Assis já recebeu 600 bichos. No ano passado inteiro foram 1,6 mil, cerca de 13% a mais que no ano anterior, quando 1.410 animais foram socorridos.
Centro de recuperação de animais silvestres em Assis já recebeu 600 bichos neste ano
TV TEM / Reprodução
Rebilitação
Queimadas assustam animais silvestres; muitos são atropelados
Entre os animais socorridos, tem uma onça de apenas oito meses de vida que não conseguiu fugir com a família de um canavial. Ela foi atropelada por uma colheitadeira em Florínea e agora aprende a se adaptar sem uma das patas.
Já o filhote de veado foi atropelado com a mãe em uma rodovia de Ourinhos. Ela acabou morrendo e ele foi socorrido, mas teve que ser amputado e está difícil se manter em pé em apenas uma das patas.
O biólogo Aguinaldo Marinho de Godoy explica que nesses casos, o retorno à natureza pé muito difícil e a tendência é que esses animais se aproximem cada vez mais da área urbana.
“Eles vêm pequenos, debilitados, então tem que alimentar e eles acabam associando o ser humano a comida. Você solta na natureza, ele até sabe sobreviver, mas quando vê um ser humano vão associar a proteção, abrigo, comida, cuidados, e se aproximam da casa, do sítio, às vezes, até da cidades”
Veado foi atropelado com a mãe e precisou ser amputado
TV TEM / Reprodução
Perigo nas rodovias
Apesar dos inúmeros avisos espalhados ao longo da rodovia, poucos motoristas respeitam o limite de velocidade e não conseguem evitar os atropelamentos. Só no ano passado 180 animais silvestres morreram na região de Assis.
“Eles não têm esses corredores ecológicos, de uma área de preservação ambiental para a outra para se locomoverem, então eles ficam expostos, ao atravessaram a rodovia, são atropelados nessas áreas onde existem monoculturas que, às vezes em determinadas áreas, isolam esses corredores ecológicos, impedindo de ir e vir dentro desse habitat”, explica o zootecnista Valter Saia.
Para tentar combater esses números, em alguns trechos das rodovias foram instaladas passagens subterrâneas. E as câmeras de monitoramento flagraram os bichinhos de um lado para outro, são capivaras, tamanduás e até uma família inteira de quatis que aproveitam o novo caminho, livre dos riscos de atropelamento.
Passagens subterrâneas foram implantadas na região de Assis
CART / Divulgação
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