Pesquisa de combate à leishmaniose em cães implantada em Bauru chama atenção da Nasa

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Projeto desenvolvido pelo veterinário Ricardo Luiz Cortez propõe o uso de coleiras antiparasitárias em animais com a doença para evitar a contaminação. Segundo ele, alternativa pode ser mais eficaz e ética, quando comparada com a eutanásia. Projeto visa combater a leishmaniose sem eutanasiar os cães infectados com a utilização de coleiras antiparasitárias
Júlia Martins/G1
O mês de abril marcou o início de um novo projeto em prol do bem-estar animal em Bauru (SP). Chamado de “Encoleiramento Inverso”, o projeto desenvolvido pelo veterinário e Diretor do Centro de Controle de Zoonoses, Luiz Ricardo Cortez, visa combater a leishmaniose sem eutanasiar os cães infectados.
A iniciativa inovadora chamou até a atenção de um dos pesquisadores da Nasa que esteve na cidade para conhecer de perto como funciona o projeto.
Pesquisa de combate à leishmaniose de Bauru chama atenção da Nasa
A ação, que conta com o apoio da Prefeitura de Bauru, do Centro de Controle de Zoonoses e da Unesp de Presidente Prudente e tem ainda a parceria com a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e o Instituto Adolf Lutz, é considerada pioneira em todo o país, pois propõe uma nova possibilidade de proteção contra a doença com o encoleiramento dos animais contaminados. Portanto, uma alternativa para evitar a necessidade da eutanásia.
Isto se dá, segundo Cortez, pois a substância chamada deltrametrina presente na coleira, possui duas ações: uma como repelente, mantendo longe o mosquito-palha, transmissor da leishmaniose; e outra como inseticida, agindo como controlador do mosquito, não deixando que ele pique o animal infectado e transmita o protozoário para um animal sadio.
“A coleira em um animal sadio tem a função de deixar longe o mosquito transmissor da leishmania. Quando você coloca a coleira em um animal infectado, ela cumpre a mesma função. Além, claro, da inseticida. Contribuindo para manter o mosquito longe e, assim, prevenir a contaminação de outros animais”, explica o veterinário idealizador do projeto.
Luiz Ricardo Cortez apresentou a proposta na Prefeitura de Bauru
Júlia Martins/G1
Segundo o Secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, o projeto pode ser o começo de algo que venha a mudar políticas públicas nacionais.
“Através desse estudo e do trabalho de campo que já está sendo realizado, podemos levar à outros níveis a discussão a respeito da leishmaniose no Brasil, chegando até a um patamar nacional”, diz.
Além da questão de saúde pública, Luiz Ricardo Cortez destaca a importância do projeto para o bem-estar animal. “Nós como veterinários não queremos eutanasiar animais que estão bem, ativos e felizes. O veterinário tem que salvar vidas. E é isso que estamos fazendo. Estamos usando a preservação da vida como fator criador de políticas públicas”, relata o veterinário.
Levando em consideração a importância da implantação do projeto, uma vez que pode trazer grandes benefícios para a diminuição dos casos de leishmaniose tanto em cães, quanto em humanos na cidade, a prefeitura disponibilizou uma quantidade de coleiras para serem distribuídas em determinados bairros de Bauru, seguindo o cronograma proposto pelo projeto.
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Encoleiramento em Bauru
Inicialmente, o projeto tem como objetivo avaliar os resultados de dois bairros de Bauru, podendo expandir futuramente. Os locais escolhidos, em um primeiro momento, são o núcleo Gasparini e bairro Isaura Pitta Garms. Segundo Luiz Ricardo Cortez, a área atendida será expandida futuramente.
Equipes percorreram os bairros núcleo Gasparini e Isaura Pitta Garms a fim de estudar o local
Júlia Martins/G1
As equipes percorreram as ruas coletando amostras de sangue de todos os cães, para testar a presença de leishmania. Após alguns casos serem confirmados, os organizadores do projeto decidiram separar os casos em dois grupos.
Os cães do núcleo Gasparini, não receberão a coleira. Dessa forma, será possível averiguar os dados sem o encoleiramento.
Já os cães do bairro Isaura Pitta Garms receberão a coleira antiparasitária. Assim, os pesquisadores podem determinar a eficácia do uso do produto em animais diagnosticados com a doença. 
Desde o início das visitas, Luiz Ricardo Cortez afirma que mais de 90% dos cães infectados foram encoleirados.
“Nós não tivemos casos onde o dono se recusou a receber a coleira. Isso mostra o quanto a medida pode ser mais ‘simpática’ e também ética. Ninguém quer ter que mandar matar seu bichinho”, comenta.
Prefeitura da cidade disponibilizou, inicialmente, 400 coleiras, que serão distribuídas no bairro Isaura Pitta Garms
Júlia Martins/G1
O cronograma previsto para o projeto, segundo Luiz, visa encoleirar todos os cães diagnosticados com leishmaniose nas regiões delimitadas e, depois disso, realizar visitar periódicas para averiguar o estado do animal. Isso porque a coleira tem validade de seis meses e, após decorrido esse tempo, precisa ser trocada para que continue eficaz.
Moradores da cidade que não residem nos bairros que são foco do projeto podem adquirir a coleira em pet shops e clínicas veterinárias.
“Projeto que caiu do céu”
A auxiliar de enfermagem, Neide Martins, dona do cachorrinho Menino, considerou o projeto como um grande avanço. O cão foi diagnosticado com leishmaniose e recebeu a coleira do projeto.
“Com a coleira, o mosquito não chega. Facilita muito na prevenção da doença. Não consigo imaginar como seria ter que mandar sacrificar o meu Menino. Acho que eu morreria pela metade. Esse projeto caiu do céu”, diz.
Neide foi uma das pessoas que recebeu a coleira antiparasitária
Reprodução/TV TEM
Apoio da Nasa
O projeto se mostrou tão inovador que chamou a atenção de Jeffrey C. Luvall, cientista da National Aeronautics and Space Administration (Nasa).
O pesquisador veio até Bauru para conhecer as diretrizes do projeto e avaliar em quais aspectos a ajuda da Nasa pode ser útil. Segundo ele, a principal tarefa, inicialmente, é mapear, via satélite, os principais locais da cidade onde há solo propenso para a proliferação do mosquito-palha.
Jeffrey C. Luvall, pesquisador da NASA, veio até a cidade para estudar os locais que farão parte da pesquisa
Reprodução/TV TEM
Para isso, será feito um rastreamento com os satélites da Nasa. E, de acordo com os resultados obtidos, será possível definir os locais onde haverá a distribuição das coleiras.
O cientista se diz animado com o projeto. Em entrevista ao G1, contou que é a primeira vez que vem ao Brasil para fazer um projeto desse tipo e afirma que a ação pode trazer resultados muito positivos a respeito do combate à leishmaniose.
“Quando as pessoas pensam na Nasa, elas pensam em espaço, foguetes e etc. Mas, a Nasa também faz outros tipos de trabalho. Nesse caso, vamos utilizar nossos satélites para ajudar no projeto de combate a leishmaniose. E isso é muito importante. Estou muito animado para ver os resultados.”
*Colaborou com a supervisão de Mariana Bonora
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